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Livro o Sumiço do O

A primeira vez que percebi o grande potencial do livro O sumiço do O, foi quando estive no Solar Meninos de Luz em Copacabana, Rio de Janeiro. Normalmente, recomendamos que os professores apresentem os livros do autor antes da visita. Desta forma, com um pequeno vínculo estabelecido e, compreendendo a função de um escritor ou um ilustrador, poderão usufruir de forma mais rica do encontro com o mesmo e sua obra literária. No Solar, costumam ampliar a pesquisa através da internet.
Não era minha primeira visita ao Solar Meninos de Luz, mas lembro do meu encantamento ao descobrir com eles o potencial do livro O sumiço do O, ao ver as produções que fizeram. Muitos desenhos, entre eles: grande em cartolina, o corpo humano com tudo listado, o que desapareceria e o que não, caso a letra O sumisse. Cabeça, nariz, perna e pé, era só o que tinha ficado. Desapareceriam: cabelo, olhos, boca, orelhas, pescoço, braços, corpo, mãos, dedos… Cabe esclarecer que a história do livro fala do sumiço da letra O e, a menina Mariana começa a divagar e imaginar o mundo sem a letra, tanta coisa que some. No livro, ela começa imaginando a ausência dos animais que se escrevem com a letra O: macaco, urso, orangotango, coruja, minhoca…e por aí vai.

Havia um painel, com vários textos e poemas produzidos pelas crianças ali fixados. Escreveram sobre o sumiço de outras letras, escreveram deixando um vazio no local do O (ver enigma abaixo) e eu, ali, maravilhada. Um menino, registrado em minha memória, se levantou e leu seu texto. Fui impactada: ele escreveu um texto, relativamente de bom tamanho, sem usar a letra O uma vez sequer. Fiquei impressionada, pois ele, com certeza, teve que procurar sinônimos para dizer o que queria dizer. Na mesma hora eu exclamei: “Você escreveu sem usar a letra O!” Ele sorriu, feliz de ter me impactado.

Depois deste primeiro encontro, vieram outras experiências. Crianças desenhando, numa escola em Areal/RJ, cenas de onde estariam os Os: havia ônibus cheios de letras Os, cidades para onde os Os teriam fugido e outros desenhos divertidos. Em uma creche de Porto Alegre/RS, as paredes todas cheias de letras com bracinhos e carinhas, construídas com recortes de jornais. Muitos desenhos, pinturas e textos em escolas do Rio de Janeiro, Niterói, Miguel Pereira, Gravataí/RS, entre outras, que pude ver de perto. Em Gravataí, um presente! Uma menina vestida como a personagem Mariana me recebeu à porta da escola, onde foram encenados espetáculos e exposição dos trabalhos, incluindo massinha de modelar. A imaginação das professoras e das crianças vai longe e além. Para uma atividade, demanda de outra escola, inventei um jogo com colagem de imagens em cartolina, distribuímos as peças e, num certo momento, cada um mostrava a sua e dizia se tinha ou não a letra O na palavra. Respeitamos a “leitura” particular da imagem, por exemplo: chapéu ou boné.

O mundo inteiro pode ser imaginado, em cada ambiente, o que fica e o que não fica. Assim como toda letra, e toda pessoa, podemos falar da importância particular de cada uma. No Salão FNLIJ, na apresentação de lançamento, após tantos “lugares” que exploramos, os espaços do Salão, os nomes das crianças…minha mãe levantou o dedo pedindo a palavra: “Você esqueceu de falar dos sentimentos.” Sim! Eu não tinha pensando nisso, vamos pensar juntos? Sai o carinho, amor, mas sai o ódio, rancor … fica ternura, raiva, tristeza, alegria, felicidade… Não há limite pro pensar. Pensando sós ou juntos, a gente cresce, se amplia, cria.
Uma última curiosidade: no final do livro, as demais letras escrevem um bilhete para a Mãe de Mariana. Crianças adoram desvendar este e outros enigmas, então, a brincadeira é escrever enigmas, deixando espaço para a letra O. As crianças, super poderosas e excitadas, desvendam mistérios!
Não tenho dúvida que o aprendizado se faz melhor com a ludicidade, com a troca, com a brincadeira. Imagina, o livro literário não tem que ensinar nada, mas quando ele é capaz de abrir tantas portas, tantos olhares, ampliar a imaginação, é uma alegria enorme para o autor. São tantas possibilidades transdisciplinares, pensar ciências, geografia, história, biologia, português, inglês… tudo! Que forma deliciosa de apreender!

BEIJ_ GRANDE E UM ABRAÇ_ APERTAD_!

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